Merecidíssima
Derrota merecidíssima do Benfica na final da Taça de Portugal. Se no final do jogo de Amesterdão aplaudi a equipa pelo esforço, agora aponto-lhe o dedo por esta derrota. Hoje foram todos maus profissionais. Foi absolutamente vergonhosa a forma como se apresentaram na segunda parte, foi absolutamente vergonhosa a falta de empenho e o laxismo por parte de todos, provavelmente achando que o jogo estava ganho. O Guimarães não deixou de acreditar, e nem precisou de fazer grande coisa para dar a volta ao texto. Foi lá duas vezes e marcou duas vezes. Quanto a nós, parecemos fazer tudo - TUDO - o que estava ao nosso alcance para não ganhar este jogo. Foram todos uma autêntica vergonha. E não me estou a referir apenas aos jogadores, incluo obviamente a equipa técnica nisto. André Almeida mais uma vez a lateral esquerdo porquê? Para ser um zero absoluto em termos atacantes? No lance do primeiro golo adversário (mesmo tendo sido obtido em fora-de-jogo) toda a gente no mundo - incluindo o avançado adversário - estava mesmo a ver que ele iria tomar a pior opção naquela situação, que era atrasar ao guarda-redes. E foi isso mesmo que ele fez.
E honestamente, o Artur pode ir dar uma volta e não regressar mais - que dê o lugar ao Oblak ou a qualquer outro que se vá contratar. Já não tenho a menor paciência para ele. Criticavam muito o Roberto, mas nestes dois anos que leva na Luz o Artur já deve ter acumulado mais falhas grosseiras do que o espanhol. Este ano custaram-nos apenas a Liga e a Taça.
Despedida
Vitória na despedida de um campeonato que deixa o sabor amargo de ter sido muito mal perdido. Voltámos a complicar desnecessariamente as coisas dando praticamente uma parte de avanço ao adversário, mas uma melhoria substancial na segunda parte chegou e sobrou para dar a volta ao marcador.

Estiveram mais de 50.000 pessoas na Luz este fim de tarde, mas acho que muito pouca gente teria grandes ilusões sobre o desfecho do campeonato. Já vemos futebol neste país há algumas décadas, e todos sabíamos perfeitamente que, de uma maneira ou de outra, o nosso adversário directo acabaria sempre por vencer na Mata Real (e os factos desse jogo encarregaram-se de comprovar isso mesmo). Infelizmente, os nossos jogadores também pareceram entrar em campo mais ou menos convencidos do mesmo. Só assim se explica a primeira parte muito pobre que nos ofereceram, jogada quase a passo e com muita falta de imaginação no ataque. Havia quem argumentasse que seria cansaço da final de Amesterdão, mas nunca acreditei nessa teoria do cansaço, e a segunda parte mostrou que a haver cansaço só se fosse na cabeça dos jogadores. O Benfica produziu muito pouco em termos ofensivos, e apesar do esforço por parte do Matic e do Pérez, os nossos dois avançados estiveram desinspiradíssimos (o Cardozo teve um falhanço inacreditável), e pelas alas o jogo era quase inexistente - principalmente pela esquerda, onde o André Almeida revelava naturais dificuldades devido à falta de pé esquerdo, e o Ola John produzia mais uma exibição ao nível daquelas com que nos tem presenteado neste final de época - perfeitamente apática. A defesa também pareceu intranquila, com os jogadores mais interessados em reclamar com a equipa de arbitragem (por vezes enquanto a jogada prosseguia). foi aliás assim mesmo que o Moreirense chegou à vantagem, perto do intervalo. Marcaram rapidamente um livre, e enquanto os centrais estavam entretidos a discutir com o auxiliar, pelo centro apareceu completamente solto o Vinícius para controlar a bola e bater o Artur. No último lance da primeira parte, uma reacção do Benfica, com o Lima a acertar no poste, deixava acreditar que as coisas poderiam mudar.

Era preciso melhorar bastante na segunda parte se queríamos pelo menos acabar o campeonato com uma vitória, e foi isso que aconteceu. Para tal ajudou bastante termos passado a contar com o Gaitán na esquerda do ataque em vez o Ola John, que apenas tinha feito figura de corpo presente. Ajudou também termos imprimido ao jogo um ritmo bastante superior ao da primeira parte, e que os nossos jogadores se tenham movimentado bastante mais, oferecendo soluções de passe aos colegas que tinham a bola, em vez de ficarem quase estáticos a olhar para eles - foi frequente vermos o Gaitán, por exemplo, aparecer no centro e até mesmo na direita. Com cinco minutos decorridos já o pé esquerdo do Gaitán fazia estragos, com um centro perfeito para a cabeçada certeira do Cardozo igualar o marcador. O jogo não teve qualquer comparação com a primeira parte pois o Benfica, ainda e sempre com o Pérez e o Matic a evidenciarem-se, esteve sempre muito por cima, remetendo o Moreirense para a sua área, e de lá só saindo quando tentavam algum pontapé longo para o Ghilas. As oportunidades começavam a suceder-se para o Benfica, e só mesmo com muito azar é que a vitória não acabaria por nos sorrir. O Salvio viu um cabeceamento seu ser defendido para o poste da baliza, o Cardozo voltou a falhar escandalosamente ao atirar por cima quando tinha a baliza escancarada, mas a dez minutos do fim o Lima finalmente colocou justiça no resultado - à segunda tentativa, pois o primeiro cabeceamento, após centro do Salvio, ainda foi defendido pelo guarda-redes. Já mesmo a acabar o jogo, o Lima fez o gosto ao pé pela segunda vez, na marcação de um penálti a punir uma 'defesa' de um jogador do Moreirense sobre a linha de golo (e que impediu assim um golo de calcanhar do mesmo Lima).

Os melhores do Benfica foram os suspeitos do costume, Enzo e Matic. Mesmo durante a péssima primeira parte que fizemos foram aqueles que mais se destacaram, e depois durante a segunda parte estiveram ainda melhor. Foram bem merecidos os aplausos que o estádio em peso dedicou ao Enzo quando foi substituído. O Gaitán também esteve em bom nível, e a sua entrada foi muito importante para darmos a volta ao jogo.
Foi assim o fim de um campeonato que deixa a sensação que merecíamos claramente conquistar, pois fomos a equipa que melhor futebol apresentou durante largos meses. Infelizmente falhámos quando não poderíamos falhar, e assim ficámos ao alcance de um lance fortuito que acabou por no-lo retirar. Agora teremos que esquecer isso e concentrarmo-nos no último jogo da época, porque há uma Taça de Portugal para conquistar.
Orgulho
Acabado de chegar de Amesterdão, quero apenas escrever que sinto um enormíssimo orgulho na nossa equipa. O Benfica mostrou raça, crer e ambição. Os nossos jogadores deram tudo o que tinham, e alguns deles até devem ter ido encontrar forças extra onde não se pensaria que ainda existissem para tentarem conquistar este troféu. Fomos melhores durante praticamente todo o jogo, merecemos vencer, mas quis o destino que acabássemos premiados apenas com a sempre cruel e indesejada 'vitória moral'. Não é por isso que a nossa equipa merecerá da minha parte menos aplausos. Dói muito perder assim, mas saímos de Amesterdão de cabeça bem erguida. Fomos grandes dentro e fora do relvado. Viva o Benfica!
Estupidez
A um dos jogos mais importantes da época o Benfica respondeu com uma das piores exibições da mesma. Foi até pior do que o jogo em Moscovo, que na minha opinião tinha sido o pior da época até agora. Não conseguir vencer o Estoril em casa, perante um Estádio da Luz repleto, é estar a querer entregar o ouro ao bandido - literalmente. O jogo começou a fugir-nos com a lesão madrugadora do Enzo, que ainda se tornou mais dramática pela escolha do imbecil do Carlos Martins para ocupar o seu lugar. E uso o termo 'imbecil' porque, mesmo com a máxima contenção da minha parte, foi o termo mais meigo que me ocorreu. Já vi a minha dose de jogadores pouco inteligentes durante a minha vida, mas o Carlos Martins supera tudo e todos: é, indiscutívelmente, o jogador mais estúpido que eu alguma vez vi pisar um relvado de futebol. Imediatamente após a lesão do Enzo, o Estoril ganhou uma superioridade muito evidente na zona central do campo (e o jogo já não estava a ser propriamente brilhante até então), e a primeira parte do Benfica foi paupérrima, com muitos dos jogadores a aparentarem ressaca do jogo de quinta-feira passada - houve jogadores que estiveram quase irreconhecíveis, casos do Lima ou do Salvio, por exemplo.
A entrada para a segunda parte foi um bocadinho melhor, mas desperdiçámos as poucas oportunidades mais evidentes que conseguimos criar. E depois as coisas complicaram-se ainda mais quando o Artur sofreu um golo que, pelo menos visto da bancada, me pareceu inacreditável - um remate rasteiro num livre marcado sobre a linha lateral. O Benfica reagiu sobretudo com o coração, e conseguiu mesmo chegar ao empate, num pontapé de primeira do Maxi já dentro da área (o mesmo Maxi já tinha desperdiçado uma oportunidade flagrante no jogo, pouco antes do golo do Estoril, quando após ultrapassar o guarda-redes viu o seu remate interceptado por um defesa). Após o empate ainda havia bastante tempo para tentarmos o golo da vitória (contando com os descontos, quase meia hora), mas então entrou no jogo a imbecilidade do Carlos Martins, que em menos de dez minutos viu dois amarelos e foi expulso. Nada me garante que o Benfica conseguisse ganhar o jogo com o Carlos Martins em campo, até porque já estávamos a jogar suficientemente mal. Mas certamente que a expulsão não ajudou nada. Sinceramente, depois disso o que se viu pelo relvado da parte do Benfica não foi futebol. O Benfica, que já durante todo o jogo tinha tido problemas na zona central do meio campo, ficou a jogar apenas com o Matic nessa zona. Não percebi nem fiquei agradado com as opções do Jorge Jesus, que não colocou mais ninguém aí, e que minutos antes tinha feito sair o Melgarejo para colocar o Rodrigo em campo e deixar o Gaitán a fazer de lateral - isto quando o Carlitos já causava problemas suficientes mesmo com um lateral em campo. O que se viu até final foi uma equipa do Benfica a jogar de forma completamente anárquica, e que poderia ter sofrido mais um golo, caso o Estoril tivesse tido um pouco mais de cabeça.
Mais uma vez conseguimos complicar as coisas para nós próprios, e agora somos obrigados a não perder no antro da corrupção para manter viva a possibilidade de vencer o título. Era perfeitamente dispensável dar esta motivação extra aos nossos adversários. Por último, espero muito sinceramente que esta tenha sido a última vez que vi o Carlos Martins com a camisola do Benfica.
Lindo
Não havia outro desfecho possível. Vinte e três anos depois, o Benfica está de regresso a uma final de uma competição europeia. Trinta anos depois, a oportunidade para tentarmos vencer uma competição que, para os benfiquistas da minha geração, representou a primeira grande desilusão no futebol europeu (o golo do Shéu ao Anderlecht é daquelas imagens que nunca mais se apagou da minha memória - do do Lozano nem me lembro). E não havia outro desfecho possível porque o Benfica é simplesmente muito superior ao Fenerbahçe, e esta noite, mesmo contra uma arbitragem desastrada, contra um destino injusto que o obrigou a ter que correr ainda mais do que seria naturalmente necessário, impôs a sua superioridade num Estádio da Luz que não encheu (55.000 espectadores) mas esteve lindo, lindo e foi praticamente um exemplar décimo segundo jogador.

Talvez uma única meia-surpresa na equipa titular, onde o André Almeida surgiu na posição de lateral esquerdo. De resto, o onze esperado, com a dupla Cardozo/Lima na frente de ataque e o Gaitán teoricamente na esquerda, mas com liberdade para surgir frequentemente na zona central. Havia uma desvantagem de um golo para recuperar, e mal o apito inicial soou o Benfica meteu mãos à obra. Pareceu desde logo evidente que a estratégia do Fenerbahçe passava simplesmente por defender a magra vantagem obtida na primeira mão, mas face à forte pressão que o Benfica imediatamente exerceu e o ataque constante, tal estratégia parecia inevitavelmente condenada ao insucesso. E isso verificou-se rapidamente: foram oito os minutos durante os quais os turcos conseguiram segurar o nulo. Foi esse o tempo que passou até que o Lima se escapasse pela direita, e da linha de fundo fizesse um passe atrasado para a entrada do Gaitán, que de trivela e toda a elegância do mundo fez a bola ir embater no poste mais distante antes de entrar na baliza. Até esse momento, creio que os turcos nem sequer tinham ainda passado do meio campo, enquanto que o Benfica, por aquilo que tinha feito até então, já conseguia justificar o golo. Com a eliminatória empatada, era tempo de partir para o segundo golo, coisa que o Benfica fez imediatamente, pois não abrandou o ritmo com que tinha iniciado o jogo. Mas aos vinte e dois minutos veio o golpe injusto que poderia ter deitado tudo a perder. Na primeira vez que o Fenerbahçe desceu à nossa área, e num lance em que deveria ter sido assinalado um fora-de-jogo, o Garay acabou por jogar a bola com a mão e do respectivo penálti o Kuyt empatou o jogo, deixando ao Benfica a obrigação de ter que marcar mais dois golos se queria seguir para a final.

A injustiça deste resultado era grande. Percebeu-o o Estádio da Luz, que respondeu ao golo turco com gritos de 'Benfica! Benfica!' a incentivar a equipa, e de certeza que o perceberam também os nossos jogadores, cientes da sua superioridade. Nestes últimos tempos parece que anda muita gente interessada em fazer passar a mensagem de que a nossa equipa está de rastos e já pouco mais aguenta, mas se aquilo que eu vi hoje é uma equipa de rastos então não imagino como será quando está em plena forma física. Poucos minutos após o golo do empate já o Benfica estava novamente em cima do adversário, que foi remetido para junto da sua área e parecia feliz por se poder dedicar ao seu plano inicial de defender a vantagem e pouco mais fazer. O Benfica voltou a ameaçar pelo Cardozo, pelo Lima, pelo Gaitán e passada uma dúzia de minutos já estava de novo em vantagem no marcador. Na marcação de um livre a meio do meio campo o Enzo descobriu o Cardozo solto à entrada da área e colocou rapidamente a bola em jogo, para depois o Tacuara, em mais uma demonstração de qualidade técnica (tem sido um fartote nesta Liga Europa), simular com o direito, passar para o esquerdo, e rematar rasteiro para o fundo da baliza. E agora já só faltava mais um golo, que até poderia ter surgido ainda antes do intervalo, pois o Benfica manteve-se ao ataque e muito perto do final da primeira parte, após uma grande jogada do nosso ataque, viu o remate final do Matic passar pouco ao lado do poste da baliza turca, com o Freddy Mercury turco que defendia as redes do Fenerbahçe pregado ao chão.

Não surgiu o merecido terceiro golo na primeira parte, mas havia muita esperança que surgisse na segunda, até porque nada se alterou no pendor do jogo. Ainda e sempre o Benfica em ataque constante, mesmo que não no ritmo frenético que chegou a apresentar durante a primeira parte, e o Fenerbahçe remetido ao seu meio campo, completamente inofensivo no ataque. Mais ameaças do Benfica, mais asneiras da equipa de arbitragem francesa, que olimpicamente ignorava tudo o que se passasse dentro ou nas imediações da área turca (é incompreensível como um puxão ao Cardozo quase sobre a linha limite da área passou em branco). A lesão grave de um jogador turco, atingido na face por um pontapé do Gaitán, serviu para os turcos respirarem e pareceu adormecer um pouco o Benfica por alguns minutos, mas depressa voltou à carga e com efeito decisivo, pois chegou mesmo ao desejado e merecido terceiro golo. Depois de uma sequência de jogadas de insistência do Benfica, com vários cruzamentos e a bola a teimar em não sair de perto da área turca, o Benfica teve um lançamento de linha lateral do lado direito. O Salvio lançou, a bola sobrou para o Luisão, e o remate do nosso capitão foi desviado por um defesa adversário, o que fez a bola sobrar para o Cardozo. Solto na área, o Tacuara fez o que melhor sabe: recebeu com um toque e com um segundo atirou a contar e colocou finalmente o Benfica, com toda a justiça, na frente da eliminatória. Só depois disto é que o Fenerbahçe tentou reagir, mas acabou por mostrar sobretudo que não tinha mesmo um plano alternativo ao de defender a vantagem com unhas e dentes. Apostou cada vez mais no chuveirinho para a nossa área, mas apenas num remate com muito pouco ângulo obrigou o Artur a algum trabalho, não tendo conseguido criar uma verdadeira ocasião de perigo. A sensação era a que seria mesmo o Benfica, se forçasse um pouco mais, a poder voltar a marcar, e até vimos os franceses a negarem-nos um possível penálti por uma mão dentro da área. O sofrimento durante os longos cinco minutos de compensação (justificados) deveu-se apenas ao natural receio de algum lance fortuito que pudesse provocar a injustiça da nossa eliminação, mas o tempo decorreu sem sobressaltos até à explosão final de alegria, com o 'Ser Benfiquista' cantado a plenos pulmões.

O Cardozo tem que ser o homem do jogo, porque cumpriu o seu papel de matador e por duas vezes colocou a bola no fundo da baliza. Mas ao nível dele estiveram muitos outros. O Matic voltou a encher o campo. Aparece em todo o lado, a recuperar bolas, a empurrar a equipa para a frente e a organizar jogadas de ataque. O Luisão esteve imperial na defesa, e matou quase todas as jogadas de ataque do Fenerbahçe mesmo antes delas começarem. O Enzo, príncipe do nosso meio campo, deu mais uma demonstração de garra e querer, aliadas à qualidade técnica e perfeita disciplina táctica. O Gaitán espalhou classe pelo relvado, e o André Almeida mostrou outra vez que cumpre sempre que é chamado, seja onde for que o mandem jogar. Não atacou muito, mas não permitiu grandes veleidades ao Kuyt.

O director d'A Bola escreveu no dia seguinte à nossa vitória nos Barreiros este editorial: "Acabou o jogo da Madeira e, apesar da grande festa benfiquista, logo se percebeu: não dá para muito mais. Nem sequer dará para esconder as dificuldades. O Benfica chega a este momento final e crucial da época preso por arames." Espero que tenha visto esta noite o quão presa por arames a nossa equipa está. Espero que tenha visto o quanto não dá para mais. A nossa época joga-se agora numa mão-cheia de jogos. É o que falta para o final; é o que nos separa da glória. Vamos pensar neles um a um, conforme o temos sabido fazer tão bem até agora. Está na altura de pensar no Estoril para, vencendo, darmos mais um passo de gigante rumo ao título, podendo depois aproveitar a rara oportunidade de ter quase uma semana para descansar até ao jogo seguinte.
P.S.- Já agora, para os contabilistas encartados: Uma final europeia - Check!
Quase
Com muita culpa nossa, foi preciso sofrer bastante para arrancarmos esta vitória importantíssima para a discussão do título. Ao alheamento da primeira parte respondemos com uma grande atitude na segunda, o que nos recompensou com o golo que tanto procurámos e parecia não querer aparecer.
O nosso treinador tinha falado em possíveis surpresas, mas o onze inicial do Benfica não foi particularmente surpreendente. Repetindo Olhão, o André Almeida ocupou o lugar de lateral esquerdo, enquanto que na frente de ataque jogaram o Lima e o Rodrigo, relegando o Cardozo para o banco. Para um jogo que se antevia complicado, seria difícil pedir um início melhor para nós do que aquele que aconteceu. Com três minutos de jogo e quando as equipas ainda estariam numa fase de estudo mútuo o Lima foi literalmente varrido por trás dentro da área e o árbitro, de certeza que para desgosto do velho corrupto e do azeiteiro, que bem apelaram aos favores arbitrais durante a semana, assinalou o respectivo penálti. O Lima não tremeu e na marcação do mesmo atirou a bola para um lado e o guarda-redes para o outro. O pior foi que, ao contrário do que seria de esperar, o golo madrugador fez mal ao Benfica. Os nossos jogadores devem ter ficado logo a pensar no jogo da Liga Europa e recuaram imenso, acantonando-se no seu meio campo e fazendo um jogo de expectativa (não foram definitivamente ordens do JJ, porque ele bem barafustava no banco e mandava a equipa subir). O Marítimo fez o que tinha a fazer: convidado a atacar, pegou no jogo e carregou sobre a nossa baliza. Uma bola no poste, poucos minutos a seguir ao nosso golo, deveria ter servido de aviso, mas nada mudou. Mesmo sem conseguir criar muitas oportunidades flagrantes de golo, o domínio do Marítimo no jogo com muita posse de bola e a presença constante desta nas imediações da nossa área faziam prever que o golo do empate pudesse acontecer a qualquer momento. Aconteceu - com inteira justiça, diga-se - quase em cima do intervalo, num cabeceamento do central Rossi, que aproveitou uma falha de marcação da nossa defesa para aparecer solto ao segundo poste após um cruzamento da direita.
Como que comprovando que a má exibição na primeira parte nada tinha a ver com algum eventual cansaço, o Benfica surgiu transfigurado no segundo tempo. Pressão e ataque constante resultaram, logo nos primeiros dez minutos, em três oportunidades claras de golo: primeiro o Rodrigo, isolado, rematou frouxo e ao lado da baliza, e depois o Lima acertou na barra e no poste da baliza do Marítimo. O Benfica não desistiu, e agora era junto à área do Marítimo que a acção se passava, com várias tentativas de remate a encontrar jogadores do Marítimo a dar o corpo ao manifesto e a evitar que a bola seguisse na direcção da baliza. Por esta altura já começava a parecer que iríamos acabar a lamentar a primeira parte dada de avanço ao adversário, já que estava difícil fazer a bola entrar, mas ainda antes de chegarmos a uma fase de desespero (pouco antes de entrarmos no último quarto de hora) a sorte que nos tinha voltado as costas naquelas duas bolas ao ferro resolveu sorrir-nos. Numa iniciativa individual o Salvio entrou pela direita, ganhou a linha de fundo, e o seu cruzamento foi tocado pelo Rossi, que assim enganou o seu guarda-redes e marcou pelas duas equipas. De volta à vantagem no marcador, desta vez o Benfica não cometeu o mesmo erro de recuar demasiado para segurar o resultado, pelo que a tentativa de reacção do Marítimo nunca conseguiu causar qualquer perigo para a nossa baliza. Durante a maior parte do tempo que decorreu até final o Benfica até conseguiu mesmo ter a bola em sua posse.
Os melhores do Benfica num jogo que não foi brilhante foram o Matic, o Lima e o Salvio. O primeiro fez o trabalho habitual no meio campo, mas esteve melhor sobretudo na segunda parte, já que na apagada primeira parte do Benfica esteve ao nível da mediania geral. O Lima trabalhou bastante, marcou o penálti com frieza e bem poderia ter adicionado mais um golo à sua conta, pois foi o mais rematador da equipa e viu a bola ir aos ferros por duas vezes. O Salvio não brilhou tanto no ataque como habitualmente, mas acabou por ficar directamente ligado ao golo da vitória. Gostei da exibição dele sobretudo pelo espírito de luta que revelou, tendo trabalhado imenso no auxílio à defesa nas fases mais complicadas do jogo. O Ola John, a exemplo do que tem acontecido nos últimos jogos, não me agradou. Parece-me demasiado alheio ao jogo e com pouca vontade de lutar por qualquer bola dividida.
Mais um passinho dado, e agora estamos ainda mais perto do objectivo principal da época. Como as coisas estão agora, bastar-nos-á vencer os dois jogos que temos em casa para nos sagrarmos campeões, e até já é possível, com a conjugação certa de resultados, sermos campeões na próxima jornada. Gostei de ver a forma como os jogadores festejaram a vitória, porque eles perceberam bem a importância dela. Mas não podemos relaxar, porque apesar de estarmos quase lá, falta ainda o quase.
P.S.- Apesar do arraial montado durante a semana, do que bufou o velho corrupto e arengou o azeiteiro de sobrolho arqueado, gostei da arbitragem do 'desconhecido' Manuel Mota. Provavelmente o problema dos citados foi mesmo ter sido nomeado um desconhecido em vez de um 'consagrado' que eles saberiam muito bem como manipular. Marcou o penálti evidente sobre o Lima, e na minha opinião ajuizou bem os dois lances sobre o Cardozo: no primeiro o defesa cortou a bola, e no segundo, apesar de haver contacto, não me pareceu suficiente para provocar a queda - é tão penálti quanto foi o suposto sobre o Volkswagen a semana passada (não duvido no entanto que se os lances fossem na nossa área haveria muita gente a dizer que tinham sido roubados dois penáltis ao Marítimo). Não consigo perceber de que se queixa o Pedro Martins. Como não tem nenhum lance específico a que se referir, fala de arbitragem 'implacável'. Se calhar passou demasiado tempo a olhar para o ar à procura de pássaros em vez de ver o jogo.
Pálida
Uma derrota pela margem mínima que deixa tudo em aberto para a segunda mão, mas que castiga um exibição pálida do Benfica esta noite. E podemos considerar que fomos protegidos pela sorte, já que por três vezes vimos a bola embater nos ferros da nossa baliza - o Gaitán também atirou uma vez ao ferro.

O André Gomes foi a escolha natural para o lugar do Enzo, tendo a surpresa sido a entrada do Aimar no onze, para fazer a ligação com o ataque. Na defesa, a presença natural do Jardel no lugar do capitão Luisão. O ambiente turco pouca influência pareceu ter sobre a nossa equipa, já que o nosso início de jogo foi bastante razoável. Durante o primeiro quarto de hora o Benfica teve o jogo controlado, e até dispôs de duas oportunidades, nos pés do Salvio e do Aimar. Mas perto dos vinte minutos o Fenerbahçe dispôs de duas oportunidades de rajada, tendo na segunda enviado a bola à barra da nossa baliza num cabeceamento do Webó, e despertou com esses dois lances, passando a ter superioridade no jogo durante os minutos que se seguiram. Mas apesar do relativo ascendente de cada uma das equipas em determinados períodos do jogo, nunca houve propriamente períodos de sufoco, já que parecia haver muito respeito de parte a parte, e para além disso o futebol jogado era muito desligado, com passes falhados e poucas jogadas dignas de interesse. Já em período de descontos antes do intervalo, penálti contra o Benfica, após uma falta desastrada do Ola John, e a sorte a sorrir-nos mais uma vez, já que na marcação o Baroni acertou no poste.

Para a segunda parte surgiu, sem grande surpresa, o Gaitán no lugar do Aimar, já que o nosso dez mostrou uma natural falta de ritmo. A reentrada dos turcos foi forte, tentando por várias vezes o remate e acertando mesmo no ferro pela terceira vez no jogo, desta vez num remate do Kuyt. Praticamente na resposta, foi o Gaitán quem atirou ao poste, naquela que foi a melhor oportunidade do Benfica em todo o jogo. A partir do meio da segunda parte o Benfica pareceu recuar mais, não se se por falta de frescura física ou por ser uma aposta em segurar o nulo, mas a verdade é que no espaço de alguns minutos os turcos carregaram mais, sem que o Benfica conseguisse segurar a bola ou sair para o ataque para respirar um pouco, limitando-se os nossos jogadores a aliviar bolas para onde estavam virados. Coincidência ou não, o Fenerbahçe chegou mesmo ao golo no culminar desse período, num momento em que, para variar, a sorte não nos foi favorável, já que o golo surge na sequência de um canto mal assinalado. O Melgarejo ao segundo poste encarregou-se de fazer a assistência para o primeiro poste, numa zona onde estavam três adversários à vontade, tendo um deles cabeceado para o golo (mesmo assim a bola ainda foi ao poste antes de entrar, de nada valendo o corte do Jardel, pois a bola já tinha ultrapassado a linha). Faltavam vinte minutos para o final, mas pouco mais de assinalável se passou até final. Os turcos pareceram relativamente satisfeitos com o resultado, e o Benfica foi desastrado e desinspirado no ataque.

O melhor do Benfica terá sido o Matic. O Melgarejo fez um jogo bastante fraco, e não digo isto apenas pela 'assistência' para o golo turco. Antes disso já ele tinha tido mais do que um corte disparatado, e algumas perdas de bola desnecessárias. O Rodrigo, que entrou a meio da segunda parte, revelou-se um auxiliar importante da defesa do Fenerbahçe na manutenção da vantagem mínima.
A derrota por um a zero é um resultado sempre bastante perigoso, mas deixa-nos com boas possibilidades de discutir o acesso à final para a semana, em nossa casa. O Fenerbahçe não mostrou ter uma qualidade suficientemente grande para que esta desvantagem seja uma barreira inultrapassável. Mas temos agora que saber desviar a atenção desta competição, e focar-nos no jogo com o Marítimo. A conquista da Liga é a grande prioridade e a Liga Europa continua a ser, para mim, acessória. Tendo em conta a campanha que o velho corrupto e o azeiteiro já andam a fazer para esse jogo, não podemos dar-nos ao luxo de cometer o menor deslize.